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Archive for janeiro \11\UTC 2015

Leve

Era tudo ser leve…
Mas eu não sabia ser família
E ele era uma família
A leveza ficou pelo caminho…

Contando as horas, os dias, para tudo ficar em seu lugar.

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2015

Eu reli essas páginas esses dias. Eu reli e lembrei de histórias, de bobeiras, abraços, de músicas… Eu meditei sobre o hiato que aqui encontrei. Nunca foi o lugar mais alegre do mundo, mas tem coisas aqui tão bonitas que eu regaria para ver florescer mais e mais. Tem eu tão sempre em dúvida, tão questionadora, tão perdida… Tentando se encontrar desde daquele ano de 2006 em que a vida me mostrou que era a morte. Foi ali que eu aprendi a fugir da dor. Foi ali que eu desejei cores para cobrir o cinza, sorrisos para esquecer o olhar sem vida… E ano após ano… Eu fugindo. Eu tentando. Eu fugindo.

E o ano de 2014 começou confuso, estranho, sem sabor, cheio de medo novamente. Eu não lembro exatamente o dia da virada. Eu sei que ela existiu. E o meu amor por Notting Hill foi tomando conta de tudo… Dos medos, das pessoas que passavam, do trabalho que explorava, da minha gastrite que nunca esteve tão feliz. A vida respirava flores e me agradecia por aquele passo. As noites me ajudavam segurando meu sono quando eu criava nas madrugadas meu Relicário. O mundo sorria pra mim e dizia: será inesquecível. E foi. Um mês em Notting Hill lavou minha alma. E elevou esse ano que era tão Copa do mundo, tão igual aos outros.

O medo tinha ficado no Rio, naquele bar, naquelas músicas que não queria escutar. Mas um mês foi tão pouco. E quando euvoltei, o que me esperava de braços abertos?! O amor dizendo para eu dar uma chance, o amor dizendo olá! E eu ?! Sentia vontade de voltar. E agora estou me perguntando quando foi que me deixei levar?! E pq Meu Deus?!

Eu que nunca soube amar ninguém… Me vi assim tão perdida. Era demais pra mim… Era tanto passado naquele abraço que faltava o ar. Eram tantas palavras naquele blog que minha cabeça girava. Era tanto significado naquele corpo que encostar doia! Eu lembrava “eis que não fará grande carreira no mundo, as emoções o dominam!”. A cena ecoava em mim. Eu me via no fundo, cheia de medo… Cheia de gente… Cheia de amor dos outros, história dos outros… E cheia de famílias a minha volta. Eu tentava olhar fora e via mães com bebês… Eu via famílias felizes, eu me via ali no meio… Tão fora do contexto, tão não mãe, tão boba…
Eu queria fugir, eu desejei Notting Hill, eu desejei que lá não tivesse o dia 25, nem mamutes, nem bebês, nem famílias, nem fotos, nem blogs. Na minha loucura eu desejei ter a minha família, ter a minha experiência, ter o meu lar.

2015 começou confuso pq a vida nessa casa aqui nunca foi fácil. Uma mãe que nunca te apoiou, um lugar que nunca foi perto, uma falta de paz. E agora?! Eu me pergunto a todo instante. “O que será do nosso amor?!”. A música não sai da minha cabeça, o sorriso dele também não.
E o mamute ali no meio pra me lembrar que ninguém disse que seria fácil… Eu só desejava que fosse leve…

O mantra na vitrola, o choro caindo na cama… A oração em silêncio… É Deus, me embala aqui esta noite que parece não querer terminar!
2015 tá só começando…

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